A campanha ao governo do Paraná registrou uma mudança significativa de tom nas últimas 24 horas. Dois dos principais atores políticos do Estado — o candidato do PDT, Requião Filho, e o governador Ratinho Junior (PSD) — alteraram seus discursos de forma estratégica, sinalizando novas abordagens para a disputa eleitoral.
A virada aconteceu na sequência do primeiro debate entre pré-candidatos ao governo, realizado no domingo (9) pela TV Band. O evento teve a ausência de Sergio Moro (PL), que lidera as pesquisas, e colocou frente a frente Requião Filho e Sandro Alex (PSD), candidato apoiado por Ratinho Junior.
A defesa de Lula por Requião Filho
No debate, Requião Filho adotou uma postura diferente da que vinha apresentando até então. Ele fez questão de defender publicamente as obras do governo federal no Paraná e a gestão do presidente Lula.
“Vou defender o Lula sim. Se não tivesse o governo federal, não teriam obras aqui no Paraná”, disse o candidato ao Blog Politicamente, do portal RIC.
A mudança reflete uma leitura do cenário nacional. Com as dificuldades enfrentadas pelo presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas, Lula tem ganhado terreno no país. Para Requião Filho, essa tendência pode impulsionar sua candidatura também no Paraná.
O candidato do PDT ainda lembrou que o próprio PSD, partido de seu adversário Sandro Alex, ocupa três ministérios no governo Lula — o que torna contraditória, segundo ele, qualquer crítica à gestão federal vinda daquele campo.
Ratinho muda o alvo
Do outro lado, o governador Ratinho Junior também deixou a subjetividade de lado. Na segunda-feira (10), um dia após o debate, ele fez críticas diretas a Sergio Moro, algo que vinha evitando.
“Natural. Ele conhece muito pouco o Paraná, e não tem plano de governo. E não é uma crítica pessoal, mas se você pegar o histórico das entrevistas dele, o plano de governo é destruir o PT. Isso o Paraná já fez”, afirmou o governador.
Ratinho se referia ao resultado eleitoral de 2024, quando o PT venceu em apenas quatro dos 399 municípios do Paraná — todos com menos de 10 mil habitantes. “Então esse serviço nós já fizemos lá atrás. E o combate de discussão ideológica, de questão de direita e esquerda, é Brasília”, completou.
A crítica direta a Moro representa uma mudança relevante. Até então, Ratinho mantinha um discurso mais moderado em relação ao senador. Segundo um analista político ouvido pelo portal RIC, “o Ratinho é um tubarão. Ele sentiu o cheiro de sangue na água”.
A estratégia de Moro
Enquanto os adversários ajustam seus discursos, Sergio Moro adotou como estratégia o silêncio. O senador não compareceu ao debate, justificou a ausência e, até o momento, não respondeu diretamente às críticas do governador.
A tendência no entorno de Moro é “fazer ouvidos de mercador”, pelo menos até o início da campanha no rádio e na TV. Resta saber se a declaração de Ratinho foi pontual ou faz parte de uma estratégia eleitoral mais ampla.
O que esperar
Com o primeiro debate realizado, a campanha ao governo do Paraná entra em uma nova fase. As mudanças de discurso indicam que os candidatos estão ajustando suas estratégias com base no cenário político real.
O próximo grande teste será o início do horário eleitoral gratuito, quando os candidatos terão a oportunidade de apresentar suas propostas em escala estadual.