Sergio Moro (PL) lidera a disputa pelo Governo do Paraná. Mas, para o favorito, não basta chegar ao segundo turno. Também interessa escolher — ou pelo menos ajudar a construir — o adversário mais conveniente.
Os números explicam o cálculo. Na pesquisa IRG, Moro vence Requião Filho (PDT) por 57,5% a 31,2%. Contra Sandro Alex (PSD), porém, o cenário muda: 44,8% a 40,5%, empate técnico dentro da margem de erro.
Requião Filho é, portanto, o caminho mais confortável para Moro, segundo seus apoiadores. Sandro Alex representa uma disputa mais apertada e ainda poderia atrair parte do eleitorado governista hoje ligado a Ratinho Junior (PSD).
A rejeição reforça essa leitura. No levantamento do Paraná Pesquisas, 36,6% afirmam que não votariam em Requião Filho. Moro registra 24,8%, enquanto Sandro aparece com apenas 10,9%.
É justamente a pesquisa contratada pelo PL, partido de Moro, que coloca Requião em segundo lugar: Moro aparece com 45%, Requião com 24% e Sandro com 17,5%. Já o IRG, encomendado pela TV Independência, mostra Sandro na segunda posição, com 27%, e Requião em terceiro, com 21,8%.
A diferença entre os levantamentos oferece combustível para a disputa política. Ao divulgar pesquisas nas quais Requião surge como principal adversário, o campo de Moro ajuda a fortalecer o cenário que mais lhe favorece: uma eleição polarizada contra um candidato de alta rejeição e associado à esquerda.
Isso não significa que os números tenham sido manipulados. Pesquisas registradas podem apresentar resultados diferentes por metodologia, período de campo e perfil da amostra. Mas contratar, divulgar e explorar determinados levantamentos também faz parte da batalha para influenciar a percepção do eleitor.
Moro não pode escolher sozinho quem enfrentará. Pode, no entanto, trabalhar para convencer o Paraná de que a eleição já está polarizada entre ele e Requião Filho.
Se conseguir, chegará ao segundo turno não apenas na liderança, mas diante do adversário que seus próprios números apresentam como mais fácil de derrotar.
O Paraná Pesquisas ouviu 1.280 eleitores entre 31 de agosto e 2 de setembro, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais. O levantamento está registrado sob o número PR-03399/2026.
A pesquisa IRG ouviu 1.200 eleitores entre 31 de agosto e 3 de setembro, com margem de erro de 2,83 pontos percentuais, e está registrada sob o número PR-02179/2026.
