
Vitória no primeiro turno e eleição de Filipe Barros e Deltan ao Senado redesenham o poder estadual. Para o grupo governista, o resultado expõe o limite da transferência de votos.
RadarDigitalPR — 5 de outubro de 2026 | Notícia e análise
O Paraná acordou nesta segunda-feira com um novo governador eleito e uma conta política para o atual ocupante do Palácio Iguaçu. Sergio Moro (PL) venceu no primeiro turno, com 3.127.911 votos, equivalentes a 50,10% dos votos válidos. O resultado foi confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral, com todas as urnas apuradas. Edson Vasconcelos será o vice-governador.
A vitória encerrou a tentativa de Ratinho Junior de eleger Sandro Alex (PSD) como sucessor. O deputado federal terminou com 25,37%, enquanto Requião Filho (PDT) recebeu 23,47%. Mesmo com a participação do governador na campanha, o candidato governista ficou distante do primeiro colocado.
Politicamente, o resultado deixa uma mensagem desconfortável para o grupo que administra o Estado: apoio de governador não funciona como procuração eleitoral. O eleitor pode reconhecer uma gestão e escolher outro nome para conduzir a próxima.
Moro ultrapassou por pouco a marca necessária para evitar o segundo turno. A consequência, porém, é ampla: seus adversários perderam a oportunidade de reunir forças em uma nova etapa da disputa.
O movimento também alcançou o Senado. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) conquistaram as duas vagas em disputa. Assim, partidos que integraram a coligação de Moro para o governo também venceram a eleição senatorial.
Na leitura política do resultado, essas vitórias dão ao futuro governador interlocutores em Brasília e fortalecem o campo que enfrentou o candidato de Ratinho. Isso não elimina a necessidade de negociar com a Assembleia Legislativa nem garante uma transição sem atritos. Abre, contudo, uma nova disputa por influência, alianças e espaço no governo.
Para Sandro Alex e seus aliados, começa o trabalho de explicar por que a estrutura de apoio não se converteu em votos suficientes. Para Moro, começa outra cobrança: transformar a vitória eleitoral em capacidade de administrar.
O primeiro turno resolveu quem ocupará o Palácio Iguaçu. A partir de agora, o teste será mostrar o que muda para quem vive fora dele.