
Com 14 deputados cada, as duas siglas dividem a liderança do Legislativo. A nova composição mostra que vencer o governo é apenas uma etapa da construção de poder.
RadarDigitalPR — 6 de outubro de 2026 | Notícia e análise
A próxima disputa por poder no Paraná já tem endereço: a Assembleia Legislativa. PL e PSD elegeram 14 deputados estaduais cada e terão as maiores bancadas da Casa. O empate coloca o partido do governador eleito, Sergio Moro, e a legenda do atual governador, Ratinho Junior, diante de uma tarefa inevitável: negociar.
As duas bancadas somam 28 das 54 cadeiras. Separadamente, nenhuma controla o plenário. O PT terá oito representantes; o PP, seis; Novo, Podemos e Republicanos, três cada; MDB, dois; e PDT, um. Essa distribuição dá aos demais partidos espaço para influenciar a formação de maiorias.
A leitura política é clara: o resultado do Executivo não apagou a força parlamentar do PSD. O partido perdeu a sucessão estadual, mas preservou uma bancada do mesmo tamanho da legenda vencedora. Classificar esses deputados como futura oposição, porém, seria antecipar uma decisão que dependerá das articulações e do comportamento de cada parlamentar.
O PL também chega fortalecido pelas votações individuais. Paulo Melo e Jessicão foram os dois candidatos mais votados para a Assembleia, com 192.409 e 131.673 votos, respectivamente. Ambos estão entre os novos integrantes da Casa.
Há renovação, mas também continuidade. Dos 54 eleitos, 23 são novos integrantes e 31 foram reeleitos. A taxa de renovação ficou em 42,59%, abaixo dos 44,45% registrados em 2022. Entre os que permanecerão estão Ademar Traiano, Romanelli, Hussein Bakri e Gugu Bueno, todos do PSD.
Isso significa que os novos deputados encontrarão um Legislativo com lideranças experientes, relações já estabelecidas e diferentes bases regionais. A chegada de novos nomes pode alterar prioridades e métodos, mas não desmonta automaticamente a estrutura política existente.
Para o cidadão, essa negociação tem consequências concretas. Projetos sobre impostos, serviços públicos e prioridades de investimento passam pela Assembleia. A relação entre governo e deputados ajudará a determinar quais propostas avançam, quais mudam e quais ficam pelo caminho.
O ponto a acompanhar agora é a formação da futura base governista: quem se aproxima, quem mantém independência e quais compromissos sustentam esses movimentos.
A urna distribuiu as cadeiras. A maneira como elas serão usadas ainda está em disputa.