
Requião Filho sobe o tom — e mira no poder
Na sabatina da Folha/UOL, Requião Filho deixou claro que pretende fazer da oposição ao grupo de Ratinho Junior o eixo de sua campanha. Criticou privatizações, atacou a gestão estadual e prometeu rever a venda da Copel. No palanque nacional, porém, a equação é mais delicada: cobra mais atenção de Lula ao Paraná, mas mantém o apoio à reeleição do presidente. Em 2026, Requião Filho terá de mostrar que oposição no Estado e aliança em Brasília cabem no mesmo discurso.
Garotinho corre contra o relógio
Anthony Garotinho ainda quer disputar o governo do Rio, mas a Justiça colocou mais um obstáculo no caminho. Uma decisão determinou o cumprimento da suspensão dos direitos políticos por oito anos, enquanto a defesa sustenta que o prazo já terminou. A candidatura agora depende também de uma corrida jurídica. Garotinho precisa convencer a Justiça Eleitoral antes que o calendário eleitoral resolva a questão por ele.
A urna virou palanque
A desconfiança nas urnas eletrônicas voltou ao debate eleitoral. Cila Schulman, CEO do Instituto IDEIA, afirma que o sentimento existe em parcela relevante do eleitorado, embora ressalte que uma fraude ampla seria estatisticamente muito difícil. O dado político importa: em 2026, candidatos não disputarão apenas votos. Também haverá uma batalha pela confiança no próprio processo eleitoral. E suspeita, quando vira estratégia de campanha, costuma sobreviver aos fatos.
Ficha limpa antes da urna
A pressão do Ministério Público levou partidos a criar regras contra candidaturas ligadas a facções criminosas. É um avanço, mas o teste começa antes da eleição. Partido que promete combater o crime organizado precisa saber quem está colocando na própria nominata. Descobrir o passado do candidato depois do voto é fiscalização atrasada.
Ideb e a maquiagem da educação
O Ideb pode melhorar no papel sem que a aprendizagem avance na mesma velocidade. Se a nota sobe enquanto matemática continua patinando, há uma diferença importante entre melhorar indicadores e melhorar o ensino. Aprovar mais não significa necessariamente ensinar melhor. Para governos, o número rende manchete. Para alunos, o que interessa é aprender.
Tragédia não pode virar política pública
Enchentes, ondas de calor e eventos extremos deixaram de ser exceção. Mesmo assim, o Brasil ainda gasta enorme energia reagindo ao desastre depois que ele acontece. Prevenção custa dinheiro e exige planejamento, mas emergência custa mais. O problema político é conhecido: obra inaugurada depois da tragédia aparece. Tragédia evitada, não.
Quando a fé perde espaço, o imóvel muda de dono
Templos fecham, mudam de função e dão lugar a espaços culturais ou comerciais. O fenômeno diz algo sobre religião, mas também sobre transformação social. Instituições que durante décadas pareciam permanentes estão sendo obrigadas a entender públicos diferentes. Vale para igrejas, empresas e partidos: falar apenas para quem já está convencido é uma ótima maneira de descobrir que o público foi embora.
Reforma tributária: o labirinto continua
A reforma prometeu simplificação, mas a hospedagem de curta duração mostra como a realidade pode ser menos elegante que o discurso. Entre aluguel, prestação de serviço, plataformas e regimes tributários, o pequeno empreendedor precisa descobrir em qual gaveta cabe. Quando simplificar exige manual, contador e interpretação, talvez o labirinto só tenha mudado de endereço.
A Justiça empurra a pedra
O Judiciário brasileiro lembra o mito de Sísifo: milhões de processos sobem a montanha e outros milhões aparecem na base. Burocracia, litigância e demora alimentam o ciclo. Enquanto o sistema discute como movimentar a pedra com mais eficiência, o cidadão continua esperando que ela simplesmente saia do caminho.
Fronteira segura exige informação compartilhada
Brasil e Paraguai avançam na troca de informações sanitárias. Parece burocracia, mas tem efeito direto sobre medicamentos irregulares, alimentos sem controle e produtos falsificados. Na fronteira, mercadoria não respeita organograma. Fiscalização que não compartilha informação acaba compartilhando o problema.
O caixa apertou
Quando o governo perde espaço para bancar despesas e áreas como Saúde e Educação entram no ajuste, a discussão fiscal deixa rapidamente as planilhas. Pode significar investimento adiado, serviço represado e projeto empurrado para depois. Orçamento é escolha. E quando falta dinheiro para áreas essenciais, a pergunta sobre prioridades deixa de ser técnica.
Envelhecer não pode virar punição financeira
Os reajustes dos planos de saúde colocam muitos idosos diante de uma escolha difícil: absorver mensalidades cada vez maiores ou abandonar a cobertura justamente quando mais precisam dela. Empresas têm suas contas. Consumidores também. Se permanecer no plano se torna economicamente inviável à medida que a idade avança, há uma distorção que merece atenção do poder público.
A voz indígena sai da nota de rodapé
Jornalistas indígenas lançaram um manual para orientar uma comunicação mais responsável sobre povos originários. A iniciativa rompe uma lógica antiga: durante muito tempo, outros falaram por eles. Agora, reivindicam também o direito de definir como suas histórias serão contadas. Comunicação é representação — e representação também é poder.
R$ 700 que podem mudar uma trajetória
A bolsa permanência de R$ 700 para estudantes do Prouni toca em um problema menos visível do acesso à universidade: entrar não significa conseguir ficar. Transporte, alimentação, aluguel e contas continuam chegando durante o curso. Democratizar o ensino superior exige abrir a porta, mas também impedir que a falta de dinheiro expulse o aluno depois.
Alô? Melhor não
A França decidiu endurecer as regras do telemarketing, condicionando chamadas comerciais à autorização prévia do consumidor. No Brasil, o telefone ainda toca como se atender propaganda fosse obrigação cívica. Se o cidadão precisa fazer esforço para pedir que empresas parem de incomodá-lo, talvez a lógica esteja invertida.
Antes do voto, vem o Google
Brasileiros já recorrem às buscas para saber quais cargos estarão em disputa e quando será a eleição. É um detalhe interessante sobre a campanha que se aproxima: antes de ouvir candidato, muita gente procura informação por conta própria. Quem ainda imagina eleição restrita a palanque, televisão e santinho pode descobrir que parte da disputa começa na caixa de pesquisa.
Mais tempo na escola, menos desculpas
Escolas de tempo integral apresentam desempenho superior no Ideb. O resultado reforça o potencial do modelo, mas não autoriza atalhos. Aumentar a jornada sem melhorar conteúdo, acompanhamento e estrutura apenas estica o relógio. Educação integral precisa significar mais oportunidade de aprender — não simplesmente mais horas dentro do prédio.
Água tratada não pode ser luxo
O setor de saneamento defende tarifa social subsidiada para famílias de baixa renda. O princípio é difícil de contestar: água e esgoto são serviços essenciais. A discussão começa em como financiar o benefício sem simplesmente deslocar a conta. Política social sustentável precisa dizer quem recebe — e também quem paga.
Boi na China, dependência no horizonte
O Brasil já ocupou 90% da cota de carne destinada ao mercado chinês. É uma demonstração da força do agronegócio brasileiro, mas também lembra uma regra elementar do comércio: cliente grande é excelente; dependência excessiva, nem tanto. O boi brasileiro ganhou a China. A estratégia agora é não colocar toda a boiada na mesma porteira.
A toga também terá de aprender IA
Se 84% dos advogados latino-americanos já utilizam inteligência artificial, a discussão deixou de ser sobre a chegada da tecnologia. Ela chegou. O desafio passa a ser responsabilidade, transparência, controle e limites de uso. O Direito costuma mudar devagar. Desta vez, a tecnologia aparentemente não pretende esperar.
Debate marcado. Desculpa, não.
Os debates presidenciais do primeiro turno já têm datas e horários definidos. É quando termina parte do conforto do discurso preparado. Diante do adversário, da pergunta e do relógio, improviso também vira informação para o eleitor. Campanha ensaiada funciona bem até alguém fazer a pergunta errada.
Brasília acende o pavio dos R$ 84 bilhões
O Congresso retoma os trabalhos com uma pauta de impacto bilionário. Para parlamentares, são projetos, negociações e acordos. Para quem financia o Estado, interessa uma pergunta mais simples: quem paga? Brasília tem extraordinária criatividade para criar despesas. A dificuldade histórica aparece quando chega a hora de encontrar a receita.
Criança online, Estado offline
A tecnologia avançou mais rápido que as regras destinadas a proteger crianças e adolescentes no ambiente digital. Plataformas conhecem hábitos, interesses e comportamento dos usuários em escala inédita, enquanto fiscalização e legislação tentam acompanhar o algoritmo. Criança não pode virar laboratório involuntário de uma tecnologia que o próprio Estado ainda está aprendendo a regular.
Elis não envelhece. O Brasil é que muda.
Elis Regina continua atual porque sua voz nunca foi apenas música. Cantou um Brasil inquieto, contraditório e politicamente intenso. Décadas depois, sua obra ainda provoca. Talvez porque algumas questões nacionais tenham mudado de nome, mas continuem morando no mesmo endereço. Elis ficou eterna. O Brasil ainda tenta alcançar aquela voz.
Diplomacia não se faz por WhatsApp
Política externa virou terreno fértil para versões fabricadas, recortes convenientes e certezas instantâneas. Só que diplomacia envolve negociação, interesses nacionais, informação e estratégia — ingredientes pouco compatíveis com torcida organizada de rede social. Quando a versão viraliza antes do fato, o prejuízo pode ultrapassar o governo da vez.
Fertilizante também é soberania
O Senado discute incentivos para ampliar a produção nacional de fertilizantes. Para uma potência agrícola dependente de insumos externos, não é assunto secundário. Crises internacionais, guerras ou problemas logísticos podem atravessar rapidamente a porteira. Sem fertilizante não há safra; sem estratégia, dependência comercial pode virar vulnerabilidade nacional.
SUS: patrimônio que se prova na fila
Reconhecer o SUS como patrimônio da cultura nacional tem valor simbólico. O reconhecimento decisivo, porém, acontece no posto, no hospital e na espera por atendimento. O SUS é uma das maiores estruturas públicas do país e merece ser preservado. Patrimônio, porém, não vive de placa: precisa de financiamento, gestão e serviço funcionando.
Juros altos, paciência curta
O alerta de Sergio Moro sobre o endividamento de famílias e empresas toca em uma ferida conhecida. Crédito caro pressiona consumo, investimento e as contas de quem já opera no limite. Quando o dinheiro custa demais, a dívida cresce e a economia perde fôlego. A taxa pode ser decidida em Brasília. A prestação vence na casa do cidadão.
A polêmica virou negócio
As redes transformaram provocação em ativo político. Quanto maior a reação, maior o alcance; quanto maior o alcance, maior a capacidade de mobilização. O caso envolvendo Nikolas Ferreira ajuda a expor uma lógica que ultrapassa nomes e partidos. Na política do algoritmo, indignação também é moeda — e rende bastante.
Quando até o avião vira estratégia
A troca sigilosa de aeronave por Donald Trump diante de uma suposta ameaça iraniana mostra como segurança e geopolítica também se expressam longe dos discursos oficiais. Mudanças de rota, protocolos extraordinários e silêncio podem revelar tanto quanto pronunciamentos. Em momentos de tensão, às vezes o sinal mais importante não é aquilo que um líder diz, mas aquilo que considera necessário fazer sem anunciar.