O Podemos decidiu não lançar candidatura própria ao Senado nas Eleições 2026 no Paraná. A decisão, oficializada em reunião da Comissão Executiva no dia 5 de agosto, deixou o deputado federal Luiz Carlos Hauly fora da corrida eleitoral. Em vez de concorrer, o partido aderiu à coligação que apoia Sergio Moro (PL) ao Governo do Estado e estendeu o apoio aos candidatos ao Senado da chapa: Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo).
A movimentação nos bastidores partidários paranaenses revela uma estratégia calculada. O Podemos, que chegou a cogitar Hauly como nome forte para uma das duas vagas, optou por concentrar seus recursos nas eleições proporcionais. A sigla homologou 28 candidatos a deputado federal e 47 a deputado estadual — um número expressivo que indica prioridade clara na formação de bancada.
O contexto da decisão
A convenção estadual do Podemos ocorreu em 30 de julho, em Curitiba, em formato híbrido. Na ocasião, o partido ainda não havia batido o martelo sobre a candidatura ao Senado. Foi na reunião da Comissão Executiva, cinco dias depois, que a decisão final veio: sem candidato próprio, e com adesão à coligação de Moro.
A decisão reflete uma leitura realista do cenário eleitoral: com nove candidatos disputando duas vagas ao Senado, o custo de uma campanha competitiva seria alto, e o risco de um resultado inexpressivo, igualmente grande. Hauly, que já foi secretário da Receita Federal e deputado federal por vários mandatos, tinha experiência e nome reconhecido. Mas sua candidatura dependeria de estrutura e tempo de televisão que o partido, sozinho, teria dificuldade de garantir.
O impacto na corrida ao Senado
Com a saída do Podemos, o cenário para o Senado ficou mais definido. São nove candidatos, mas os nomes com maior potencial de votos concentram-se em três grupos principais.
De um lado, a coligação de Moro — formada por PL, Novo, Democracia Cristã e agora Podemos — lançou Filipe Barros e Deltan Dallagnol. Ambos têm perfis de combate à corrupção e trânsito entre eleitores de direita e centro-direita. Dallagnol, ex-procurador da Lava Jato, já teve candidatura barrada em 2022, mas conseguiu autorização judicial para concorrer este ano.
Do outro lado, a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB, PV) lançou Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha. Gleisi, presidente nacional do PT, é o nome de maior projeção nacional entre os candidatos ao Senado. Sua candidatura mobiliza o eleitorado de esquerda e também atrai atenção da mídia nacional para a disputa paranaense.
No centro, o Republicanos lançou Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa, com apoio do DEM e outras siglas. Curi representa o grupo político ligado ao governador Ratinho Junior e à candidatura de Sandro Alex (PSD) ao governo.
O PSD, por sua vez, lançou Cristina Graeml como segundo nome na chapa de Sandro Alex. Jornalista com longa trajetória, Graeml busca atrair o eleitorado conservador que não se identifica com as candidaturas do PL e do Novo.
O que o Podemos ganha com a aliança
Ao abrir mão da candidatura ao Senado, o Podemos ganha capital político na aliança com Moro. O partido terá maior capacidade de negociação para cargos em um eventual governo Moro, além de fortalecer a posição de seus candidatos a deputado federal e estadual.
A aposta nas proporcionais é estratégica. Com 75 candidatos entre federal e estadual, o Podemos busca eleger uma bancada que lhe dê relevância na Alep e na Câmara dos Deputados — independentemente de quem vença a corrida majoritária.
O que esperar dos próximos dias
O prazo para registro oficial das candidaturas na Justiça Eleitoral termina em 15 de agosto. Até lá, ainda podem ocorrer ajustes nas coligações e nas nominatas. O Podemos, agora sem candidato ao Senado, deve formalizar nos próximos dias o apoio a Filipe Barros e Deltan Dallagnol.
A corrida eleitoral de 2026 no Paraná promete ser uma das mais disputadas dos últimos anos. Com convenções encerradas e candidaturas definidas, o tabuleiro está montado. Resta saber como os eleitores responderão às urnas em 4 de outubro.