As pesquisas eleitorais costumam iluminar quem está na frente. Mas existe outro número, menos festejado nos palanques, que pode definir até onde cada candidatura consegue chegar: a rejeição.
Na disputa pelo Governo do Paraná, Requião Filho enfrenta a barreira mais alta. Segundo o Paraná Pesquisas, 36,6% dos entrevistados afirmam que não votariam nele. Sergio Moro aparece com 24,8%, enquanto Sandro Alex registra 10,9%.
Os números ajudam a explicar o desenho da eleição. Moro lidera, mas carrega resistência suficiente para tornar um eventual segundo turno menos confortável. Requião precisa ampliar seu eleitorado sem esbarrar no próprio teto. Sandro, por sua vez, aparece com rejeição menor — uma vantagem potencial, desde que consiga transformar desconhecimento ou neutralidade em votos.
No Senado, o obstáculo maior está diante de Gleisi Hoffmann. A candidata do PT soma 42,3% de rejeição, muito acima de Deltan Dallagnol, com 12%, Alexandre Curi, com 6,3%, Cristina Graeml, com 6,2%, e Filipe Barros, com 5,9%.
Isso não elimina Gleisi da disputa. Ela mantém uma base eleitoral reconhecível e competitiva. Mas revela uma campanha obrigada a fazer duas coisas ao mesmo tempo: mobilizar quem já está próximo e diminuir a resistência de quem está fora.
Curi e Cristina enfrentam o problema inverso. Têm rejeição reduzida, mas ainda precisam crescer em lembrança e intenção de voto. Ser pouco rejeitado ajuda. Ser pouco conhecido, nem sempre.
Na reta decisiva, conquistar novos eleitores será apenas metade do trabalho. A outra metade será convencer quem já decidiu dizer não.
Porque eleição não é vencida apenas por quem reúne mais apoios. Muitas vezes, é vencida por quem encontra menos portas fechadas.
O Paraná Pesquisas ouviu 1.280 eleitores entre 31 de agosto e 2 de setembro. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número PR-03399/2026.
Por Rafael Franek