Governador eleito do Paraná questionou a apreensão dos passaportes do aliado, mas não mencionou as investigações nem o risco de fuga apontado pela Polícia Federal
O governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), classificou como “compreensível” a saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil após a derrota na eleição presidencial. Em publicação nas redes sociais nesta terça-feira (27), o senador criticou a ordem de recolhimento dos passaportes do aliado e questionou a situação institucional do país.
“O Brasil segue longe da normalidade institucional. No contexto, Flávio deixar o país é compreensível”, escreveu. Moro também relacionou sua crítica ao volume de votos recebido pelo candidato do PL e ao fato de a medida judicial ter sido determinada no dia seguinte ao segundo turno.
A manifestação não abordou as investigações contra Flávio nem os fundamentos apresentados pela Polícia Federal para pedir a retenção dos documentos. Segundo a Folha de S.Paulo, a PF havia apontado risco concreto de saída do investigado do território nacional. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acolheu o pedido na segunda-feira (26).
Além da entrega dos passaportes em até 24 horas, a decisão proibiu Flávio de deixar o Brasil e de manter contato com o advogado Willer Tomaz. Conforme a CNN Brasil, o prazo terminou às 11h de terça-feira sem que os documentos fossem entregues. A PF informou o descumprimento e cancelou os passaportes.
No pedido encaminhado ao STF, a polícia citou a saída de Willer do país como precedente que reforçava o risco de evasão. O advogado e Flávio são investigados por suspeitas de lavagem de dinheiro. Segundo o documento mencionado pela Folha, Willer permanecia no exterior apesar de uma proibição judicial de deixar o Brasil.
Moro participou da campanha de Flávio no segundo turno. Ao comentar a saída do aliado, o governador eleito concentrou sua manifestação na crítica à medida judicial, sem discutir os elementos da investigação que motivaram a decisão.