O candidato à Presidência da República pelo Novo, Romeu Zema, esteve em Curitiba nesta sexta-feira (7) para um encontro com empresários na Associação Comercial do Paraná (ACP). Durante o evento, o ex-governador de Minas Gerais criticou a taxa de juros, os gastos públicos e a estrutura tributária brasileira, além de defender reformas administrativa e previdenciária como pilares de seu plano de governo.
A visita ocorre em um momento de intensa movimentação eleitoral no Paraná, que já tem nove candidatos ao Senado e oito ao Governo do Estado oficializados após o encerramento das convenções partidárias em 5 de agosto.
Discurso econômico e críticas ao governo federal
Zema afirmou que os empresários brasileiros enfrentam dificuldades para investir devido ao custo elevado do crédito. Em uma comparação, ele disse que o empreendedor no País trabalha diariamente com uma “bota de chumbo”. “O que eu quero é que essa bota vire um tênis de 100 gramas”, prometeu.
O candidato criticou a taxa Selic, atualmente em 14% ao ano, mas observou que o custo efetivo do dinheiro para o empresário é ainda maior. “Qual empresário consegue comprar novas máquinas, equipamentos, com os juros que, se ele for ao banco pegar dinheiro, estão em 20%?”, questionou.
Zema também voltou a criticar o governo do presidente Lula (PT), afirmando que a política econômica atual penaliza o setor produtivo. “Estamos vendo um governo Lula, do PT, que maltrata quem sustenta o Brasil”, declarou.
Reformas e Estado enxuto
O candidato defendeu a realização de uma reforma administrativa no Governo Federal, que, segundo ele, já deveria ter sido feita há 15 anos. “É uma reforma impopular, mas você não faz nada que avance se não desagradar algumas pessoas”, afirmou.
Zema classificou o Estado brasileiro como “obeso” e disse que pretende promover um ajuste fiscal pelo lado das despesas, e não pelo aumento da arrecadação. Entre as medidas, citou também uma reforma da Previdência e um pente-fino nos programas sociais, preservando benefícios para quem realmente precisa.
O ex-governador também defendeu a ampliação das privatizações. Segundo ele, durante sua gestão em Minas Gerais foram vendidas 118 empresas e participações. “O governo já tem muito o que fazer na área da saúde, da segurança pública, da educação, da infraestrutura. Não tem que ficar administrando empresa não”, disse.
Presença em Curitiba e contexto eleitoral
A passagem de Zema por Curitiba ocorre em meio à corrida presidencial, em que o Novo tenta consolidar seu espaço em um cenário polarizado entre Lula e a direita representada por Flávio Bolsonaro (PL) e outros candidatos. No Paraná, o Novo faz parte da coligação que apoia Sergio Moro (PL) ao governo do estado, com Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) como candidatos ao Senado.
O evento na ACP teve caráter restrito a empresários e empreendedores, e Zema aproveitou para apresentar propostas de campanha e ouvir demandas do setor produtivo paranaense. A escolha de Curitiba como palco do encontro não foi casual — o Paraná é um dos estados estratégicos para a campanha do Novo, que busca votos no eleitorado de perfil mais liberal.
Com a aproximação do primeiro turno em 4 de outubro, a tendência é que outros candidatos à Presidência também passem pelo estado nos próximos meses. O Radar Digital PR continuará acompanhando a movimentação dos presidenciáveis no Paraná.