
Com mais de 84% do eleitorado fora de Curitiba, pré-candidatos ampliam agendas regionais e voltam atenções para cidades médias e polos do interior
A sucessão estadual ainda está distante do calendário eleitoral oficial, mas os movimentos dos principais grupos políticos mostram que a batalha pelo interior já começou.
A eleição para o Governo do Paraná será realizada apenas em outubro de 2026.
Mas a corrida política já começa a ganhar contornos mais claros.
E um dos primeiros consensos entre os grupos que disputam o Palácio Iguaçu é que a decisão não deve passar por Curitiba.
Os números ajudam a explicar.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que cerca de 84% dos eleitores paranaenses vivem fora da capital. São mais de 7 milhões de votos distribuídos entre cidades médias, polos regionais e municípios do interior.
É justamente por isso que os principais nomes da disputa intensificaram agendas em diferentes regiões do Estado nos últimos meses.
O senador Sérgio Moro ampliou presença em municípios do interior e tem buscado consolidar bases políticas fora da Região Metropolitana de Curitiba. O grupo governista, por sua vez, aposta na forte aprovação do governador Ratinho Junior para manter influência em regiões que receberam grandes volumes de investimentos em infraestrutura, saúde, educação e logística.
A movimentação ocorre em um cenário favorável para o debate regional.
Nos últimos anos, cidades como Maringá, Cascavel, Londrina, Toledo, Ponta Grossa e Foz do Iguaçu ampliaram participação econômica, atraíram investimentos e ganharam peso político.
O interior também concentra algumas das pautas que tendem a dominar a campanha.
Pedágio, estradas, logística, saúde regional, segurança pública, agricultura, cooperativismo e geração de empregos aparecem entre os temas mais presentes nas agendas de prefeitos, empresários e lideranças locais.
O avanço econômico dessas regiões ampliou sua influência eleitoral.
O Paraná exportou US$ 23,6 bilhões em 2025 e registrou movimentação recorde nos portos estaduais. Grande parte dessa riqueza é gerada justamente fora da capital, em regiões ligadas ao agronegócio, à indústria, às cooperativas e à logística.
Esse cenário ajuda a explicar por que a disputa de 2026 tende a ser menos concentrada em debates ideológicos e mais conectada a temas ligados ao desenvolvimento regional.
Na prática, os candidatos sabem que Curitiba continua sendo uma vitrine política importante.
Mas sabem também que dificilmente alguém chegará ao Palácio Iguaçu sem construir uma presença sólida no interior.
A campanha oficial ainda não começou.
A corrida pelo interior, porém, já está em andamento.
Por Rafael Franek | RadarDigitalPR