A deputada federal e candidata ao Senado Gleisi Hoffmann (PT) rebateu a declaração do governador Ratinho Junior (PSD), que afirmou que o Paraná já “destruiu o PT lá atrás”. A resposta veio pelas redes sociais e acirrou o tom da disputa política no estado, que já está em campanha para as eleições de outubro.
Em postagem no X (antigo Twitter), Gleisi escreveu: “Esse foi o único partido a subir cinco vezes a rampa do Palácio do Planalto. Dessas, Lula subiu três vezes, apesar da farsa da Lava Jato. Subirá a quarta vez, porque entende do povo e do Brasil. E, no Paraná, a bancada do PT é de cinco deputados federais e sete deputados estaduais, a segunda maior bancada, atrás apenas da eleita pelo partido do governador. Sigamos em frente, acho que todos acabarão bem antes de nós.”
A fala de Ratinho Junior que motivou a resposta ocorreu na segunda-feira (10), durante conversa com jornalistas no Palácio Iguaçu. O governador comentava sobre a ausência do senador Sergio Moro (PL) no primeiro debate entre candidatos ao governo do Paraná. Ratinho avaliou positivamente a participação de Sandro Alex (PSD) e criticou a decisão de Moro.
“Ele conhece muito pouco o Paraná. Não tem plano de governo. Não é uma crítica pessoal, mas se você pegar o histórico das entrevistas dele, o plano de governo é destruir o PT, mas isso o Paraná já fez. O Paraná tem quatro cidades administradas pelo PT que não chega a 10 mil habitantes. Esse serviço nós já fizemos lá atrás”, afirmou o governador.
Contexto eleitoral e peso do PT no Paraná
A troca de farpas revela um momento de acirramento na campanha eleitoral paranaense. Embora o PT tenha perdido força no estado nas últimas décadas — hoje administra apenas quatro municípios, todos com menos de 10 mil habitantes —, a legenda mantém presença significativa no Legislativo.
Com cinco deputados federais e sete estaduais, a bancada petista é a segunda maior do Paraná, atrás apenas do PSD, partido do governador. O dado mostra que, embora o PT não tenha vencido eleições majoritárias recentes no estado, mantém capilaridade e capacidade de eleger representantes.
Gleisi, que é presidente nacional do PT e candidata ao Senado, enfrenta uma disputa acirrada por uma das duas vagas. Os principais concorrentes são Alexandre Curi (Republicanos), Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL).
Repercussão na campanha
A troca de declarações ocorre em um momento de intensa movimentação partidária no Paraná. O prazo para registro de candidaturas se encerra no próximo sábado (15), e as convenções partidárias estão definindo as últimas alianças e chapas.
A campanha de Sergio Moro, que tem como um dos pilares o discurso de oposição ao PT, deve explorar a declaração de Ratinho como combustível eleitoral. Já Sandro Alex (PSD), candidato apoiado por Ratinho, tenta se posicionar como a opção de continuidade da gestão estadual, sem se envolver diretamente no embate ideológico nacional. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro.