
Convenção aprovou a entrada do ex-prefeito na vice de Sandro Alex, mas não votou formalmente a candidatura de Álvaro Dias ao Senado. Republicanos reúne-se nesta noite para decidir quanto espaço ainda possui na aliança governista.
A convenção do MDB resolveu a vice de Sandro Alex e deixou o problema mais caro para o dia seguinte.
Rafael Greca foi homologado. Álvaro Dias subiu ao palco, recebeu apoio público e foi apresentado por parte da cobertura como candidato ao Senado. A indicação, porém, não foi submetida formalmente à votação dos convencionais, segundo informações divulgadas após o encontro.
A chapa governista continua, portanto, com uma certeza: Alexandre Curi é o nome anunciado para o Senado.
A segunda vaga permanece aberta.
Nesta segunda-feira, o Republicanos realiza sua convenção estadual no Clube Urca, em Curitiba. O evento estava programado para confirmar Curi ao Senado e o apoio a Sandro Alex. Depois da entrada do MDB, ganhou outra função: medir quanto vale o compromisso assumido anteriormente pelo grupo de Ratinho Junior.
O MDB entrou com Greca na vice. Agora tenta levar Álvaro ao Senado. Para o Republicanos, a conta parece simples: se Curi tinha a primeira vaga garantida, a chegada de um novo aliado não poderia transformar promessa em preferência.
Álvaro procurou baixar a temperatura. Disse que não pretende impor uma candidatura, defendeu a construção da unidade e afirmou que não faria campanha sem a presença de Curi. O gesto foi conciliador. Também foi politicamente cuidadoso: preserva a possibilidade de concorrer sem assumir a responsabilidade por eventual ruptura.
Greca foi mais direto. Defendeu Álvaro publicamente e tratou sua presença no Senado como importante para o Paraná. O discurso deixou claro que o MDB não considera encerrada sua participação na chapa com a ocupação da vice.
A vaga que todos garantem, mas ninguém documenta
O quadro expõe uma diferença que costuma desaparecer nas fotografias das convenções: apoio verbal, indicação partidária e homologação formal são etapas distintas.
Alguns veículos noticiaram que Álvaro foi oficializado. Outros registraram que seu nome não foi votado. O próprio ex-senador evitou se declarar candidato durante as entrevistas. Sem a íntegra da ata, qualquer conclusão definitiva ainda é prematura.
A ata pode ter delegado à direção partidária o poder de completar a composição até o encerramento do prazo das convenções, em 5 de agosto. É um mecanismo regular. Também é uma forma de transferir a decisão do plenário partidário para uma mesa menor, onde o preço de cada acordo fica menos visível.
É nesse espaço que Republicanos e MDB passarão a medir força.
Curi chega à convenção com mandato na presidência da Assembleia, estrutura municipal e apoio público de Ratinho Junior. Álvaro chega com memória eleitoral e liderança nas pesquisas para o Senado. O primeiro oferece capilaridade política. O segundo apresenta voto já identificado.
Uma chapa competitiva pode acomodar os dois. A questão não é apenas caberem na mesma fotografia. É saber se receberão o mesmo empenho da coligação, a mesma estrutura regional e a mesma disposição do governador para pedir os dois votos.
No Paraná, o eleitor escolherá dois senadores. Na campanha, porém, o chamado “primeiro voto” costuma revelar a preferência real do grupo.
Cristina e Osmar permanecem no entorno
A composição também afeta Cristina Graeml. Ela se aproximou do PSD com expectativa de disputar uma posição majoritária e agora vê governo, vice e uma vaga ao Senado já ocupados, enquanto MDB e Republicanos negociam a última cadeira.
Qualquer mudança de destino — Câmara dos Deputados, suplência ou retirada da majoritária — precisará ser confirmada por ela e pelo partido. Até agora, não existe definição formal suficientemente documentada.
Nas últimas horas, passou a circular ainda a possibilidade de o Republicanos apresentar Osmar Dias como outra opção ao Senado. A informação foi atribuída a interlocutores partidários, mas não há anúncio pessoal de Osmar nem documento que confirme sua indicação.
Transformar o bastidor em candidatura criaria uma chapa ainda mais congestionada. Curi, Álvaro, Cristina e Osmar disputariam duas vagas dentro do mesmo campo político.
Por enquanto, Osmar é hipótese. Curi é o candidato anunciado. Álvaro é o nome desejado pelo MDB, mas cercado por versões contraditórias sobre sua homologação.
A convenção que vale como resposta
A reunião do Republicanos desta noite mostrará se o partido pretende apenas confirmar Curi, ampliar sua reivindicação ou delegar à Executiva a decisão final.
Também mostrará se a entrada de Greca foi recebida como fortalecimento coletivo ou como alteração unilateral de um acordo já construído.
Ratinho Junior conseguiu retirar Greca da disputa pelo governo e reunir MDB, PSD e Republicanos no mesmo bloco. A operação ampliou a chapa, mas não aumentou o número de vagas.
A vice foi resolvida. O conflito apenas mudou de cadeira.
A convenção do MDB fez a festa. Nesta noite, o Republicanos decide se aceita a conta.