
Estado amplia investimentos, cria estrutura própria para IA e busca transformar Curitiba em polo nacional de inovação e governo digital
Com eventos internacionais, nova secretaria estadual e investimentos em tecnologia, o Paraná acelera sua entrada na disputa por protagonismo em um dos setores mais estratégicos da próxima década.
Rafael Franek/Editoria
A corrida da inteligência artificial deixou de ser um debate restrito às grandes empresas de tecnologia e passou a ocupar espaço central nas estratégias de governos, universidades e setores produtivos.
No Paraná, esse movimento começa a ganhar escala.
Nos últimos meses, o Estado ampliou iniciativas voltadas à inovação, governo digital e inteligência artificial, numa tentativa de consolidar Curitiba como um dos principais polos brasileiros de tecnologia aplicada à gestão pública e aos negócios.
Um dos sinais mais claros dessa estratégia foi a criação da Secretaria de Estado da Inovação e Inteligência Artificial (SEIA), estrutura voltada ao desenvolvimento de políticas públicas ligadas à transformação digital, inovação e uso de IA na administração pública.
A agenda ganhou força também com a realização de eventos internacionais na capital paranaense.
Em março, Curitiba sediou o Smart City Expo Curitiba 2026, considerado um dos principais encontros da América Latina voltados a cidades inteligentes, inovação urbana e transformação digital. O evento reuniu empresas, governos, startups e especialistas em tecnologia.
Poucos dias antes, a cidade também recebeu uma edição do AITOUR, evento global focado em inteligência artificial aplicada ao setor público e governo digital, realizado anteriormente em cidades como Lisboa e Nova York.
O avanço da IA acontece em um momento em que o próprio Brasil começa a ampliar investimentos no setor.
O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê mais de R$ 23 bilhões em investimentos até 2028, distribuídos entre infraestrutura tecnológica, formação de profissionais, inovação empresarial e modernização dos serviços públicos.
Nesse cenário, estados passaram a disputar espaço na atração de empresas, startups, centros de pesquisa e projetos ligados à nova economia digital.
O Paraná tenta se posicionar justamente nesse ambiente.
Além da presença crescente em eventos internacionais, o governo estadual anunciou programas voltados ao fortalecimento de ecossistemas de inovação e ao desenvolvimento de soluções tecnológicas para municípios e serviços públicos. A própria Secretaria de Inovação informou recentemente investimentos de R$ 25 milhões destinados ao fortalecimento de ambientes de inovação no Estado.
A movimentação possui também um componente econômico.
Estudos internacionais apontam que inteligência artificial tende a influenciar setores como indústria, logística, agronegócio, saúde, educação, mobilidade e serviços financeiros — áreas que possuem forte presença na economia paranaense.
Por isso, a discussão deixou de ser apenas tecnológica.
O debate agora envolve competitividade, atração de investimentos, formação de mão de obra qualificada e capacidade de adaptação econômica.
Em um Estado que já disputa protagonismo nacional em logística, indústria e agronegócio, a inteligência artificial começa a ser vista como a próxima fronteira estratégica.
E, para o Paraná, a corrida não parece mais ser apenas sobre tecnologia.
Ela começa a ser sobre posição econômica na próxima década.