
Cooperativas, tecnologia, logística e saúde ampliam influência econômica e ajudam a redesenhar o mapa do poder no Estado
Enquanto o debate político gira em torno das eleições de 2026, uma transformação mais profunda acontece na economia paranaense. Novos grupos econômicos ampliam receita, investimentos e influência em ritmo superior ao de muitos setores tradicionais.
Quando se fala em riqueza no Paraná, a imagem clássica ainda remete ao agronegócio, à indústria e às grandes empresas familiares.
Mas os números mostram que uma nova configuração econômica está surgindo no Estado.
E ela tem protagonistas muito claros.
O primeiro deles é o cooperativismo.
Levantamento do Grupo Amanhã apontou que 20 cooperativas figuram entre as 100 maiores empresas do Paraná. Entre elas estão gigantes como Coamo, C.Vale, Lar, Copacol, Cocamar, Integrada e Frimesa, organizações que movimentam dezenas de bilhões de reais por ano e exercem influência crescente sobre cadeias produtivas inteiras.
Os números impressionam.
A Coamo, sediada em Campo Mourão, alcançou receita superior a R$ 28 bilhões. A C.Vale ultrapassou R$ 24 bilhões. A Lar registrou mais de R$ 23 bilhões em faturamento. Juntas, essas cooperativas movimentam valores equivalentes ao orçamento anual de muitos estados brasileiros.
O avanço não é apenas financeiro.
As cooperativas passaram a ocupar posições estratégicas na industrialização de alimentos, exportação, logística, crédito, saúde suplementar e energia, ampliando sua presença muito além da produção agrícola.
Outro grupo que cresce rapidamente é o da tecnologia.
Curitiba consolidou-se como um dos principais polos de inovação do país, enquanto cidades como Londrina, Maringá e Pato Branco ampliam seus ecossistemas tecnológicos. Empresas ligadas a software, inteligência artificial, automação, fintechs e serviços digitais passaram a disputar investimentos e profissionais qualificados em um mercado que cresce acima da média da economia tradicional.
A logística também ganhou protagonismo.
O Paraná movimentou 73,5 milhões de toneladas pelos portos estaduais em 2025, recorde histórico. O crescimento fortaleceu operadores logísticos, transportadoras, terminais portuários e empresas ligadas ao comércio exterior, especialmente nas regiões de Paranaguá, Curitiba e Oeste do Estado.
A saúde privada forma outro polo de expansão.
O sistema cooperativista médico do Paraná ampliou participação econômica nos últimos anos. Apenas a Unimed Curitiba aparece entre as maiores empresas do Estado, acompanhada por outras estruturas cooperativas do setor de saúde.
O resultado é uma mudança silenciosa no centro de gravidade da economia paranaense.
Há vinte anos, a riqueza estava concentrada principalmente na produção agrícola e industrial.
Hoje, ela se espalha por cadeias mais complexas, envolvendo tecnologia, serviços especializados, logística, crédito, saúde e inovação.
Essa transformação também altera a distribuição de influência.
Quem investe, emprega, exporta e financia passa naturalmente a ter maior capacidade de influenciar debates sobre infraestrutura, educação, energia, qualificação profissional e desenvolvimento regional.
Por isso, a pergunta sobre quem está ficando mais rico no Paraná vai além da curiosidade econômica.
Ela ajuda a entender quem está ganhando peso nas decisões que podem moldar o futuro do Estado.
E os números indicam que a resposta já não está apenas nas fábricas ou nas lavouras.
Ela passa cada vez mais pelas cooperativas, pela tecnologia, pelos serviços e pela nova economia que cresce em diferentes regiões do Paraná.
Por Luiz Filho | RadarDigitalPR