
Fora de Curitiba, estão mais de 80% dos eleitores do Estado e algumas das regiões que mais crescem em população, emprego e investimentos
Enquanto a sucessão estadual começa a ganhar forma, os números mostram que o caminho até o Palácio Iguaçu passa cada vez mais pelas cidades médias e pelo interior do Paraná.
Boa parte do debate político do Paraná costuma se concentrar em Curitiba.
Mas os números indicam que a eleição para governador em 2026 deve ser decidida longe da capital.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que o Paraná possui mais de 8,5 milhões de eleitores. Curitiba reúne cerca de 1,4 milhão deles. Isso significa que aproximadamente 84% do eleitorado está distribuído pelas demais regiões do Estado.
É justamente nesse território que a disputa tende a ganhar intensidade.
Londrina, Maringá, Cascavel, Ponta Grossa, Foz do Iguaçu, Guarapuava, Toledo, Campo Mourão, Umuarama, Paranavaí e dezenas de outras cidades concentram uma parcela crescente da atividade econômica paranaense e formam um eleitorado capaz de definir qualquer eleição estadual.
A força dessas regiões não aparece apenas nas urnas.
O Paraná registrou em 2025 exportações de US$ 23,6 bilhões e movimentação recorde de 73,5 milhões de toneladas nos portos estaduais. Grande parte dessa riqueza nasce fora da capital, impulsionada pelo agronegócio, cooperativas, indústria, logística e comércio regional.
O próprio mapa dos investimentos públicos reforça essa tendência.
Nos quatro primeiros meses de 2026, o Estado liquidou mais de R$ 2,1 bilhões em investimentos, o maior volume já registrado em um primeiro quadrimestre. O valor é mais de três vezes superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Boa parte desses recursos foi direcionada para infraestrutura, estradas, segurança pública, educação e programas de apoio aos municípios.
A agricultura sozinha recebeu R$ 657,9 milhões em investimentos no período. Infraestrutura e logística receberam outros R$ 384,7 milhões. O programa Estrada Boa já alcança cerca de 270 municípios e contempla aproximadamente 2.780 quilômetros de vias rurais.
Esses números ajudam a explicar por que temas como pedágio, duplicações, estradas rurais, logística, saúde regional e infraestrutura possuem peso tão grande no interior.
Ao mesmo tempo, cidades médias ampliam sua influência política. Regiões como Oeste, Norte, Noroeste e Campos Gerais concentram polos econômicos cada vez mais dinâmicos e passaram a exercer maior protagonismo nas decisões estaduais.
Para os pré-candidatos ao governo, o desafio é evidente.
Curitiba continua sendo a principal vitrine política do Estado. Mas dificilmente será suficiente para definir o resultado da eleição.
Quem pretende governar o Paraná precisará construir presença onde estão a maior parte dos eleitores, dos investimentos e da produção econômica.
Os números mostram que a sucessão estadual de 2026 será disputada em todo o território paranaense.
Mas a vitória pode ser construída justamente onde vivem quatro em cada cinco eleitores do Estado: no interior.
Por Luiz Filho | RadarDigitalPR