
Tecnologia, inovação e serviços ganham espaço em um Estado que busca diversificar sua matriz econômica sem perder a força do agronegócio e da indústria
Dados de emprego, PIB e investimentos mostram que setores ligados ao conhecimento, tecnologia e serviços avançam rapidamente e já ocupam papel estratégico no desenvolvimento paranaense.
Quando se fala em economia do Paraná, as primeiras imagens costumam remeter ao agronegócio, à indústria e aos portos.
Os números justificam essa associação.
O Estado exportou US$ 23,6 bilhões em 2025, movimentou 73,5 milhões de toneladas nos portos paranaenses e se aproxima de R$ 800 bilhões em Produto Interno Bruto (PIB), consolidando-se entre as maiores economias do país.
Mas uma mudança importante acontece paralelamente a esse crescimento.
Cada vez mais, a riqueza produzida no Paraná também nasce de atividades ligadas à tecnologia, inovação, serviços especializados e economia do conhecimento.
Os dados ajudam a entender a transformação.
Segundo o IBGE, o setor de serviços responde por mais de 70% do PIB brasileiro. No Paraná, a participação segue a mesma tendência, impulsionada por segmentos como tecnologia da informação, logística, saúde, educação, finanças, comunicação e serviços empresariais.
O avanço também aparece no mercado de trabalho.
Dados do Novo Caged mostram que o setor de serviços lidera a geração de empregos formais no Estado. Em diversas cidades, empresas de tecnologia, centros de inovação e negócios digitais passaram a disputar profissionais com setores tradicionais da economia.
Curitiba tornou-se um dos principais polos de inovação do Brasil. A capital concentra centenas de startups, aceleradoras, hubs de inovação e empresas de base tecnológica. O ecossistema local já figura entre os mais relevantes da América Latina em rankings especializados.
No interior, o movimento também ganha força.
Maringá, Londrina, Pato Branco, Cascavel e Toledo ampliaram investimentos em parques tecnológicos, incubadoras e programas voltados à inovação. Em Pato Branco, por exemplo, o setor de tecnologia já ocupa posição central na economia local e atrai empresas de alcance nacional.
O próprio governo estadual passou a tratar o tema como prioridade estratégica.
Nos últimos meses, o Paraná criou a Secretaria de Estado da Inovação e Inteligência Artificial, lançou programas de apoio ao ecossistema tecnológico e ampliou investimentos em ambientes de inovação.
A mudança possui uma lógica econômica clara.
Enquanto commodities e produtos industriais continuam fundamentais para o crescimento estadual, os segmentos intensivos em tecnologia costumam gerar maior valor agregado, salários mais elevados e maior capacidade de atração de investimentos.
Não por acaso, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê investimentos superiores a R$ 23 bilhões até 2028, numa corrida que envolve governos, universidades e empresas em busca de espaço na nova economia global.
O Paraná continua sendo uma potência agroindustrial.
Mas os números mostram que uma parte crescente de sua riqueza já não vem apenas da produção física.
Ela surge de dados, tecnologia, pesquisa, inovação e conhecimento.
E é justamente nessa combinação entre tradição produtiva e economia do conhecimento que o Estado tenta construir sua próxima etapa de crescimento.
Por Rafael Franek | RadarDigitalPR