Crescimento econômico acelera gargalos logísticos e eleva desgaste político em regiões estratégicas do Estado
Com exportações em alta, aumento do fluxo de cargas e expansão industrial no interior, prefeitos e lideranças regionais ampliam cobrança sobre deputados estaduais e federais por obras prometidas e infraestrutura travada.
Luiz Filho
A pressão por obras voltou a crescer no interior do Paraná — e começa a atingir diretamente deputados estaduais e federais ligados às bases regionais.
O movimento ganhou força diante de um cenário que mistura crescimento econômico acelerado e infraestrutura insuficiente.
Em 2025, os portos paranaenses movimentaram volume recorde de 73,5 milhões de toneladas, crescimento de 10,1% em relação ao ano anterior.
Ao mesmo tempo, o Paraná alcançou o segundo maior volume de exportações da história, somando US$ 23,6 bilhões, impulsionado principalmente pelo agronegócio, indústria e setor logístico.
O problema é que boa parte desse crescimento continua dependendo de uma estrutura logística pressionada, especialmente no interior.
Prefeitos e lideranças empresariais ampliaram nas últimas semanas a cobrança por:
- duplicações;
- contornos viários;
- acessos industriais;
- pavimentações;
- pontes;
- melhorias rodoviárias.
Nos bastidores da ALEP, parlamentares admitem reservadamente que o tema ganhou peso político porque atinge diretamente a percepção de eficiência das lideranças regionais.
A pressão é mais forte em regiões ligadas ao agronegócio e à exportação, como oeste, norte e Campos Gerais, onde o aumento do fluxo de caminhões e cargas elevou gargalos antigos.
Estudos da Federação das Indústrias do Estado do Paraná apontam que o Paraná concentra 76% das cargas transportadas pela Malha Sul ferroviária, além de possuir capacidade logística subutilizada no interior devido à limitação da infraestrutura ferroviária e portuária.
Na prática, o crescimento chegou antes das obras.
Em cidades médias, o problema já impacta:
- trânsito urbano;
- acessos industriais;
- logística regional;
- custo do transporte;
- mobilidade.
Interlocutores do governo estadual avaliam que parte da pressão também reflete o aumento das expectativas após o ciclo recente de expansão econômica do Paraná.
Outro fator que acelera a cobrança é o ambiente pré-eleitoral.
Deputados estaduais e federais passaram a intensificar agendas regionais, anúncios de recursos e visitas a municípios numa tentativa de reforçar presença política nas bases.
Nos corredores políticos, a lógica é simples:
quem entrega obra, fortalece capital político.
E no interior do Paraná, poucas pautas possuem impacto tão imediato quanto infraestrutura.
