Em Genebra, ministro reforça papel do SUS, cobra cooperação internacional e coloca mudanças climáticas e desigualdade no centro do debate sobre saúde pública.
Durante a Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu uma resposta internacional articulada para enfrentar os impactos da crise climática e das desigualdades no acesso à saúde.
Na 79ª plenária da OMS, o Brasil apresentou uma agenda voltada ao fortalecimento do SUS, ampliação da produção nacional de vacinas e medicamentos e maior cooperação entre países em desenvolvimento.
Padilha afirmou que a crise climática já deixou de ser apenas um debate ambiental e passou a representar uma ameaça direta aos sistemas públicos de saúde. “A crise climática já é uma crise de saúde pública”, declarou.
O ministro também defendeu maior regulação sobre fatores ligados ao avanço de doenças crônicas, citando o aumento do consumo de ultraprocessados e seus impactos sobre obesidade, diabetes e saúde mental.
Nos bastidores da assembleia, o governo brasileiro tenta reposicionar o país como protagonista nas discussões globais sobre saúde pública, preparação para pandemias e inovação tecnológica. A estratégia inclui fortalecer a indústria nacional de vacinas e ampliar a presença diplomática brasileira em fóruns multilaterais.
Padilha ainda destacou a cooperação internacional entre países do Sul Global e citou Cuba como referência histórica em formação de profissionais de saúde, produção tecnológica e atuação humanitária em diferentes regiões do mundo.
O discurso ocorre em meio ao avanço das discussões sobre financiamento internacional da saúde, mudanças climáticas e segurança sanitária global — temas que ganharam força após os efeitos da pandemia e o aumento de eventos climáticos extremos.